Enquanto uma pessoa escolhe determinado produto, o seu cérebro reage a vários estímulos: cores e forma da embalagem, preços desejáveis, marcas preferidas, entre outros. E estas emoções ao serem vividas de forma inconsciente, em que a pessoa não se consegue aperceber nem exprimir, não podem ser conhecidas através de questionários.
Assim, perante estas dificuldades e, em simultâneo, com o entusiasmo de compreender o que leva o consumidor a adquirir determinado produto e a rejeitar outros, o neuropsicólogo inglês David Lewis desenvolveu, nos últimos 20 anos, uma ciência designada por Neuromarketing.
Segundo este “pai” do Neuromarketing, “perceber como o cérebro produz comportamento”, e de uma forma mais específica, “estudar como os seres humanos fazem escolhas” constitui o principal objectivo desta ciência.
Portanto, de uma forma mais detalhada, o objectivo do Neuromarketing consiste na obtenção de dados e informações relevantes sobre os processos e as variáveis mentais que permitam explicar melhor as expectativas, motivações, preferências e comportamentos do consumidor relacionados com a compra e, assim, ajustar as estratégias de marketing das empresas, afinando a linguagem publicitária, melhorando a embalagem, introduzindo inovações... tudo o que estiver ao alcance da empresa para tornar o produto mais apetecível aos olhos dos consumidores.
Para obter esta informação específica, o Neuromarketing recorre a aparelhos de ressonância magnética capazes de traçar as actividades cerebrais, a formação de sinapses e reacções ocorridas. O mais difícil é, posteriormente, analisar estes dados fornecidos pelos aparelhos de forma a perceber que emoções estiveram na base da escolha ou rejeição de determinado produto mostrado ao voluntário durante o exame.
O interesse dos marketeers no Neuromarketing é a possibilidade que este lhes oferece, juntamente com a medicina, de visualizar a forma como cada neurónio reage ao estímulo de uma campanha publicitária ou de uma marca, por exemplo.
De acordo com Nelson Lima, neuropsicólogo do Centro de Estudos de Neuroeconomia do Instituto de Inteligência de Portugal, não existe um botão para o consumo, uma vez que a tomada de decisões envolve várias regiões do cérebro que actuam sequencialmente, num curto espaço de tempo.
Até aos dias de hoje, o Neuromarketing está restringido à fotografia do cérebro no instante exacto da tomada de decisão. O grande avanço científico foi ter-se conseguido ver, na prática, como as funções cerebrais – emoção, memória e raciocínio – são activadas perante um determinado estímulo.
De seguida, coloquei um excerto de um artigo, intitulado de “Neurónios que compram”, que nos explica a anatomia de uma escolha:
1. Córtex orbitofrontal: Faz parte do lobo frontal do cérebro, que desempenha um papel importante em aspectos cognitivos e emocionais de um processo de decisão.2. Córtex pré-frontal médio: Nas imagens geradas por ressonância magnética funcional, este pequeno ponto costuma se “iluminar” quando as pessoas se identificam com algo ou alguém.3. Striatum: Conecta-se com o córtex orbitofrontal, a amígdala e outras partes do interior do cérebro relacionadas à sensação de recompensa.4. Putâmen: Costuma agir quando as pessoas saboreiam ou enxergam algo de que elas gostam. Está relacionado ao controle do prazer e satisfação.5. Sistema límbico: Envolve quase toda a seção destacada na imagem acima. É uma espécie de central de processamentodas emoções.6. Amígdala: Esta minúscula área desempenha uma função vital no controle das emoções: é geralmente ali que se manifesta o medo.
«Os marketeers podem ver o cérebro dos consumidores mas não a sua mente. Esta continua a ser secreta e misteriosa»
Nélson Lima
Não é possível antever o impacto que o Neuromarketing causará no mercado de consumo, nos próximos anos. A única certeza é que constituirá um assunto que será fortemente debatido, uma vez que se encontra em processo de evolução.
Fontes: www.neuromarketing.blog.com/
www.dnonline.com.br/
http://amanha.terra.com.br/edicoes/219/capa01.asp
http://www.neurosciencemarketing.com/blog/topics/neuromarketing/
Neuromarketing apresenta vantagens que se distinguem bem das apresentadas por outras técnicas:
> fornecimento de informação em tempo real sobre a forma como a mente responde a todos os tipos de mensagens comerciais, permitindo à marca elaborar melhor as suas acções de forma a oferecer ao consumidor o produto que ele deseja;
> é uma fonte de pesquisa mais fiável, uma vez que os questionários possuem um carácter muito subjectivo, podendo a resposta ser pouco sincera ou influenciada.
No entanto, também são notórias algumas limitações:
> As análises da cabeça do consumidor são informações isoladas para o pesquisador e, nas mãos do profissional de marketing, serão somente mais um acessório dos atuais métodos de investigação. Ainda estão longe de produzir resultados práticos.
> As questões culturais constituem outra desvantagem para esta técnica pois, de acordo com o contexto social, o cérebro tende a reagir diferentemente diante de determinado estímulo.
> Hoje, a manipulação de mentes parece uma possibilidade distante. Mas ninguém se arrisca a prever os limites das descobertas neurológicas nas próximas décadas. Não há, portanto, garantias de que o neuromarketing seja apenas um inofensivo método de estudos dos hábitos de consumo.
Para Nelson Lima, o debate ético é necessário, mas não deve impedir o avanço dos estudos. Confia, assim, no discernimento de cientistas e consumidores: “Se o Neuromarketing se tornar uma disciplina a serviço do poder ou da tirania, caberá à sociedade estabelecer os limites, tal como acontece com outras actividades”.
Apesar de se encontrar ainda em desenvolvimento, o Neuromarketing, sendo já bastante eficaz, é procurado por muitas marcas e empresas. Um dos testes realizados foi para a marca de chocolates Cadbury, cujos resultados e posteriores conclusões foram das mais curiosas. O objectivo do teste era analisar e comparar as emoções dos voluntários perante duas situações: saborear um chocolate e beijar alguém que se ame. Após as reacções do cérebro perante estes dois estímulos, David Lewis concluiu que o chocolate era possuidor de um efeito “muito mais poderoso que o beijo”.
Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=DBwnKQEJkiM&feature=relatedUm outro estudo, realizado por uma entidade que publica recomendações sobre como organizar informações em sites de notícias – Online Journalism Review – e baseado no movimento dos olhos, demonstrou que as mulheres quando olham para uma foto de uma pessoa num site concentram os seus olhos no rosto da pessoa. Mas o mesmo não se verifica com os homens que olham não só para o rosto mas, também, se fixam na região genital. Este estudo veio ajudar os designers a posicionar um determinado anúncio ou a torná-lo mais atraente, por exemplo.

Na Universidade de Tecnologia de Melbourne, Austrália, a equipe de Richard Silberstein realizou um teste com o objectivo de obter uma resposta para o facto de alguns anúncios se fixarem mais na memória que outros.
Este teste consistiu na exibição de um documentário de televisão, a um grupo de mulheres, interrompido várias vezes por anúncios comerciais. A actividade cerebral das participantes foi registada durante a exibição do documentário.
Os resultados vieram mostrar que os anúncios melhor memorizados pelas participantes correspondiam aos que causaram uma actividade cerebral excepcionalmente mais rápida no hemisfério esquerdo frontal.Este conhecimento tornou-se vantajoso pelo facto das estratégias de publicidade poderem testar previamente se os anúncios programados provocam nos espectadores uma reacção do mesmo tipo no hemisfério esquerdo.
Fonte:http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/dentro_da_cabeca_do_consumidor_imprimir.html
A título de curiosidade:
Há relativamente pouco tempo, saiu um artigo na imprensa, intitulado de “Brains Works Like Google, New Study Finds”, que veio mostrar que o nosso cérebro escolhe marcas a partir das nossas memórias, tornando-o, de certa forma, idêntico ao Google. E este artigo diz o seguinte:
“Brand choice turns out to be a largely unconscious process,” says Tjaco Walvis, who led the one-and-a-half-year study. “But in that process, the brain behaves much like Google. It seems to use a set of rules called an algorithm to pick the brand from our memory that best and most reliably fits our functional and emotional needs at that particular moment. It behaves rationally, but in an unconscious way…”
Based on the study, Mr. Walvis concludes that the brain’s “algorithm” for brand choice has three elements.
Firstly, the brain selects the brand it has learned is best able to satisfy our biological and cultural goals. We unconsciously select the brand that is the most uniquely rewarding, based on its associations with our goals and the brain’s reward centers (e.g. the dopamine system).
Secondly, the brain selects the brand that has shown most frequently in the past that it is able to fulfill these needs. Coherent brands that repeat their promise are more likely to be chosen. Volvo, Coca-Cola and Disney are examples of coherent brands.Thirdly, the brain selects the brand it has interacted with most intensely in the past. Brand participation creates numerous new connections in our brain, facilitating that brand’s retrieval. Nike Plus is an example of strong participation concept. [From
Marketwire.]”
Fonte: http://www.neurosciencemarketing.com/blog/